"Cristo vive!" Cremos na Ressurreição?



As comunidades do mundo grego, para a quais S. Lucas escrevia, tinham dificuldade em crer na Ressurreição de Jesus, sobretudo porque havia filosofias que desprezavam o corpo humano. Queriam um Jesus só espiritual.

Por isso vemos a insistência sobre o corpo do Ressuscitado. Jesus tinha carne e ossos e podia ser tocado. A Palavra de Deus insiste: "Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne nem ossos, como estais vendo que eu tenho" (Lc 24,39).

Como não podiam acreditar, Ele pergunta: "Tendes alguma coisa para comer? Deram-lhe um pedaço de peixe assado. Ele o tomou e comeu diante deles" (v. 41-43). A alegria e a surpresa era tão grandes que não conseguiam acreditar (v.41).

Então Jesus abriu-lhes a inteligência para entenderem as Escrituras (v.45). O evangelista mostra-nos que a Ressurreição é um fato e não uma idéia. Por isso diz tocar, ter carne e osso, comer peixe assado, mostrar o lugar dos cravos. Ele é aquele que foi crucificado.
Agora é ressuscitado. Em nossa condição humana quem domina é a matéria. Usamos os sentidos e o corpo. Na condição de ressuscitado Jesus tem corpo, mas é o corpo espiritualizado. Quem domina é o Espírito de Deus com os sentidos espirituais.

A matéria foi transformada. É o mesmo corpo que não tem a condição material. Para o corpo espiritual não existe espaço, lugar e tempo que são coisas da matéria. Por que não aparece hoje do mesmo modo?

Não é necessário, pois a fé o torna real na comunidade. Pela ação do Espírito Santo abre nossos olhos. Estamos apoiados nestas testemunhas. Sem a presença do Ressuscitado na comunidade, ela perde o sentido.

Conversão para o perdão

Jesus abre a inteligência dos apóstolos para compreenderem o que nas Escrituras estava dito sobre Ele: "O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações" (v.46-47).

A manifestação do Ressuscitado tem também a finalidade de levar a todos a finalidade de sua Vida, Morte e Ressurreição: "A conversão e o perdão dos pecados". Por isso João na sua carta escreve: "Escrevo para que não pequeis. Mas, se alguém pecar, temos, junto do Pai um defensor, Jesus Cristo, o Justo" (1Jo 2,1).

Jesus continua a expiar nossos pecados. Já o fez uma vez por todas e agora aplica a remissão a cada um. Rezamos no prefácio: "Ele continua a oferecer-se pela humanidade e junto de vós é nosso eterno intercessor. Converter é conhecer a Deus e observar os mandamentos.

Pe. Luiz Carlos de Oliveira
(fonte: www.santuarionacional.com)

A comunidade que nasceu da Páscoa




Este domingo pascal acentua o dom do Espírito pelo Cristo Ressuscitado. O evangelho narra com Jesus, na própria tarde da Páscoa, apareceu aos discípulos no cenáculo, dando-lhes o Espírito Santo; e como, no domingo seguinte, Jesus mostrou seu lado aberto a Tomé, testemunha da primeira hora, mas proclamando felizes, doravante, os que acreditarem sem ter visto (v. 29)

Queremos deter-nos no tema do dom do Espírito e a vida da comunidade. O dom do Espírito serve em primeiro lugar para perdoar o pecado (v. 22-23). Pois os discípulos continuam a obra que Jesus iniciou: na primeira apresentação por João Batista, Jesus fora chamado “o cordeiro que tira o pecado do mundo” (Jô 1,29).

A reconciliação com Deus e entre os irmãos é condição necessária para que seja possível a comunidade que Jesus deseja.

Na 1ª leitura vemos como essa comunidade funciona. Continuando a reunir-se, depois da morte e ressurreição de Jesus, e animada por seu Espírito, procurava viver em unidade perfeita: um só coração e uma só alma. Colocavam seus bens em comum, ninguém considerava seu o que possuía, e assim não havia carência no meio deles. Comunhão dos bens materiais mas também dos bens intelectuais, afetivos, espirituais.

O que chamamos de “fraternidade”era realidade entre eles. Não era uma mera agremiação piedosa. Era uma união de vida.

Comunidade cristã é união de vida dos que seguem aquele que deu a vida por nós, Jesus Cristo. Ele nada guardou para si. Nós também, não devemos guardar para nós nada dos bens que nos foram dados – tanto materiais como intelectuais, morais etc.

Somos administradores, não proprietários, e isso é uma razão a mais para sermos muito responsáveis naquilo que fazemos: não nos pertence. Pertence a Deus e é destinado aos nossos irmãos e irmãs. Assim como Cristo deu sua própria vida em sinal do amor de Deus, assim também nós devemos dar a vida pelos irmãos (1Jo 3,16). Dar a vida, vivendo ou morrendo...morrendo de uma morte que em Cristo se transforma em vida.

Essa vida de comunhão, é obra do Espírito de Cristo, que é o sopro de Deus que ressuscitou Jesus dentre os mortos. Podemos também dizer que o Espírito de Deus faz ressuscitar em nós a vida que Jesus viveu. Foi isso que experimentaram os primeiros cristãos, e é isso que a Igreja sempre terá de vivenciar. Não o egoísmo de uma instituiçã fechada sobre si mesma e de cristãos só de nome, mas uma comunhão de irmãos e irmãs, que contagia o mundo.

Essa é a nossa fé, que vence o mundo (2ª leitura). A vida de Jesus ressuscita em nós. Paulo diz: “Não sou eu quem vivo, mas Cristo que vive em mim”(Gl 2,20). João escreve seu evangelho para que estejamos firmes na fé em Jesus e nessa fé tenhamos a vida. Mas não se trata de uma vida qualquer. Trata-se da vida que Jesus nos mostrou.

Por isso João descreveu os gestos de Jesus, seus sinais que falavam de Deus (Jo 20, 30-31). Seja nossa vida, nossa comunidade, tal sinal: Nisto todos conhecerão que sois discípulos meus: que vos ameis uns aos outros”(Jo 13,35).

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: www.franciscanos.org.br)

O tríduo pascal



A palavra tríduo na prática devocional católica sugere a idéia de preparação. Às vezes nos preparamos para a festa de um santo com três dias de oração em sua honra, ou pedimos uma graça especial mediante um tríduo de preces de intercessão.

O tríduo pascal se considerava como três dias de preparação para a festa de Páscoa; compreendia a quinta-feira, a sexta-feira e o sábado da Semana Santa. Era um tríduo da paixão.
No novo calendário e nas normas litúrgicas para a Semana Santa, o enfoque é diferente. O tríduo se apresenta não como um tempo de preparação, mas sim como uma só coisa com a Páscoa. É um tríduo da paixão e ressurreição, que abrange a totalidade do mistério pascal.

Assim se expressa no calendário:
Cristo redimiu ao gênero humano e deu perfeita glória a Deus principalmente através de seu mistério pascal: morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida. O tríduo pascal da paixão e ressurreição de Cristo é, portanto, a culminação de todo o ano litúrgico.

Logo estabelece a duração exata do tríduo:
O tríduo começa com a missa vespertina da Ceia do Senhor, alcança seu cume na Vigília Pascal e se fecha com as vésperas do Domingo de Páscoa.

Esta unificação da celebração pascal é mais acorde com o espírito do Novo Testamento e com a tradição cristã primitiva. O mesmo Cristo, quando aludia a sua paixão e morte, nunca as dissociava de sua ressurreição. No evangelho da quarta-feira da segunda semana de quaresma (Mt 20,17-28) fala delas em conjunto: "O condenarão à morte e o entregarão aos gentis para que d'Ele façam escarnio, o açoitem e o crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará".

É significativo que os pais da Igreja, tanto Santo Ambrosio como Santo Agostinho, concebam o tríduo pascal como um todo que inclui o sofrimento do Jesus e também sua glorificação.

O bispo de Milão, em um dos seus escritos, refere-se aos três Santos dias (triduum illud sacrum) como aos três dias nos quais sofreu, esteve no túmulo e ressuscitou, os três dias aos que se referiu quando disse: "Destruam este templo e em três dias o reedificaré". Santo Agostinho, em uma de suas cartas, refere-se a eles como "os três sacratíssimos dias da crucificação, sepultura e ressurreição de Cristo".

Esses três dias, que começam com a missa vespertina da quinta-feira santa e concluem com a oração de vésperas do domingo de páscoa, formam uma unidade, e como tal devem ser considerados.


Por conseguinte, a páscoa cristã consiste essencialmente em uma celebração de três dias, que compreende as partes sombrias e as facetas brilhantes do mistério salvífico de Cristo.

As diferentes fases do mistério pascal se estendem ao longo dos três dias como em um tríptico: cada um dos três quadros ilustra uma parte da cena; juntos formam um tudo. Cada quadro é em si completo, mas deve ser visto em relação com os outros dois.

Interessa saber que tanto na sexta-feira como na sábado santo, oficialmente, não formam parte da quaresma.

Segundo o novo calendário, a quaresma começa na quarta-feira de cinza e conclui na quinta-feira santa, excluindo a missa do jantar do Senhor 1. na sexta-feira e na sábado da semana Santa não são os últimos dois dias de quaresma, mas sim os primeiros dois dias do "sagrado tríduo".

Pensamentos para o tríduo.

A unidade do mistério pascal tem algo importante que nos ensinar. Diz-nos que a dor não somente é seguida pelo gozo, senão que já o contém em si. Jesus expressou isto de diferentes maneiras. Por exemplo, no último jantar disse a seus apóstolos: "Se entristecerão, mas sua tristeza se trocará em alegria" (Jn 16,20). Parece como se a dor fosse um dos ingredientes imprescindíveis para forjar a alegria. A metáfora da mulher com dores de parto o expressa maravilhosamente. Sua dor, efetivamente, engendra alegria, a alegria "de que ao mundo lhe nasceu um homem".

Outras imagens vão à memória. Todo o ciclo da natureza fala de vida que sai da morte: "Se o grão de trigo, que cai na terra, não morre, fica sozinho; mas se morrer, produz muito fruto" (Jn 12,24).


A ressurreição é nossa páscoa; é um passo da morte à vida, da escuridão à luz, do jejum à festa. O Senhor disse: "Você, pelo contrário, quando jejuar, unja-se a cabeça e se lave a cara" (MT 6,17).


O jejum é o começo da festa.

O sofrimento não é bom em si mesmo; portanto, não devemos buscá-lo como tal. A postura cristã referente a ele é positiva e realista. Na vida de Cristo, e sobre tudo na sua cruz, vemos seu valor redentor. O crucifixo não deve reduzir-se a uma dolorosa lembrança do muito que Jesus sofreu por nós. É um objeto no que podemos nos glorificar porque está transfigurado pela glória da ressurreição.

Nossas vidas estão entretecidas de gozo e de dor. Fugir da dor e as penas a toda costa e procurar gozo e prazer por si mesmos são atitudes erradas. O caminho cristão é o caminho iluminado pelos ensinos e exemplos do Jesus. É o caminho da cruz, que é também o da ressurreição; é esquecimento de si, é perder-se por Cristo, é vida que brota da morte. O mistério pascal que celebramos nos dias do sagrado tríduo é a pauta e o programa que devemos seguir em nossas vidas.

DOMINGO DE RAMOS NO VALONGO


Foi uma festa só!!

A concentração foi formada no Centro de Santos, como sempre.

Depois a procissão em direção ao Valongo, cantando e rezando, animada por Frei André e pela equipe de Liturgia.

A chegada no Valongo foi emocionante e a Santa Missa muito bem participada com a igreja lotada.

A noite, Frei Félix presidiu a celebração e a concentração foi em frente a Estação Ferroviária (ao lado do Santuário). O mesmo sentimento e a mesma emoção da manhã estiveram presentes.

Parabéns aos organizadores, equipe de celebração, frades e aos fiéis.

Veja as fotos abaixo (obrigado à Adriana pelo envio):




Domingo de Ramos/2009

O Messias, Filho do Homem, Filho de Deus

A primeira parte do evangelho de Marcos apresenta de maneira velada a obra messiânica de Jesus. Falou-se até de um “segredo messiânico”.

Jesus traz o Reino de Deus presente, mas não de modo manifesto; apenas o deixa entrever em sinais de sua autoridade (1, 21; 2,10 etc).

Inclusive, os demônios que ele expulsa o reconhecem antes dos próprios discípulos! As parábolas (Mc 4) falam da presença escondida do Reino.

Os gestos de Jesus apontam para o Reino (a partilha do pão), mas os discípulos não o entendem (8, 14-21). A abertura dos olhos do cego de Betsaida anuncia uma mudança (8, 22-26).

Os discípulos reconhecem Jesus como Messias, mas em categorias humanas, sem entender seu caminho de Servo Sofredor (8, 27-30.31-33). Nos caps. 8 a 10, mediante os anúncios da Paixão e os ensinamentos sobre o seguimento e o serviço, surge uma espécie de compreensão, simbolizada pela abertura dos olhos do cego de Jericó (10, 46-52).

Mas Jerusalém continua na ambigüidade.
Jesus entra na cidade sentado num burrinho, como o Messias humilde descrito no profeta Zacarias, mas o povo o aclama; como Filho de Davi.

Ora, Davi era guerreiro. Será que o povo entendeu que tipo de Messias Jesus realiza? Jesus é mais que um filho de Davi.

É o filho querido de Deus (1, 11; 9,7; 15,39) que, em obediência ao incansável amor do Pai, dá sua vida e realiza plenamente a figura do “Servo” descrita em Isaías 53.

A narração da Paixão fornece uma chave para abrir esse segredo. O sumo sacerdote pergunta a Jesus se ele é o Messias, o Filho de Deus. Jesus responde “Sou, sim, e vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu” (Mc 14, 61).

O mundo pergunta se ele é o Filho de Deus e ele responde que é o Filho do Homem... Este Filho do Homem é uma figura que vem da profecia de Daniel (7, 13-14).

É o enviado celestial que esmaga as quatro feras que disputam o domínio sobre o mundo. Simboliza o Reino de Deus. O Reino de Deus, que vence os reinos “ferozes” deste mundo, tem rosto humano. Para nós, tem o rosto de Jesus.

Assim, na Paixão de Jesus, Filho do Homem e Filho de Deus significam a mesma coisa. Jesus é o Filho querido de Deus, que une sua vontade à do Pai, para, pelo dom da própria vida, vencer as feras que dominam este mundo e quebrar sua força definitivamente.

Ao ser condenado pelo sumo sacerdote de seu povo, ele se proclama portador de uma autoridade: a do Filho do Homem. Quando ele morre na cruz, por causa da justiça e do amor, o representante do mundo universal, o militar romano, exclama: “Este era de fato Filho de Deus”.

Ambos os títulos significam o respaldo que Deus dá a Jesus, e que se verificará na gloriosa ressurreição dentre os mortos. Jesus é vencedor pela morte por amor em obediência filial (Filho de Deus), mas também pelo julgamento que derrota o poder deste mundo (Filho do Homem).

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: www.franciscanos.org.br)

Entrevista - Frei André fala ao site da Rondinha


Por Frei Geovany Mendonça

Nos dias 17 e 18 de março, aconteceu no Convento São Boaventura a reunião do Secretariado da Evangelização. E, aproveitando a ocasião fez-se o convite ao Fr. André Becker, secretário da Evangelização, para que nos concedesse uma entrevista acerca do Secretariado da Evangelização.

Frei Geovany: Frei André, quem integra o Secretariado da Evangelização e o que se discutiu nesta reunião?
Frei André Becker: O secretariado se reuniu para discutir a evangelização na Província, rever o plano de Evangelização e suscitar novas propostas diante dos desafios que constantemente se apresentam às diversas realidades que os frades atuam. O Secretariado da Evangelização comporta as Paróquias, o Departamento de Educação e Comunicação (DEC), aos Santuários, ao Comissariado da Terra Santa e as Missões Ad Gentes da província.

Frei Geovany: Quais são os maiores desafios de evangelização que se encontra na Província?
Frei André Becker: O primeiro grande desafio é a grande crise que passa a Igreja Católica que não sabe mais qual rumo tomar e como atrair os fiéis, o que acaba afetando também os franciscanos. Outro grande desafio é trazer os jovens de volta para a Igreja o que também já vem sendo discutido nas paróquias e nos colégios franciscanos e será pauta da Conferência dos Frades Menores do Brasil (CFMB) e da próxima reunião dos párocos da província.

Frei Geovany: Qual é a situação da Evangelização da província hoje?
Frei André Becker: Com o Plano de Evangelização pode-se afirmar que houve avanços na organização dos serviços e das formas de evangelização. Insiste-se muito, hoje, para a necessidade da ajuda dos leigos na evangelização, assumindo como parceiros dos frades em suas atividades, não como meros executadores de tarefas, mas que caminhem juntos e em sintonia nas atividades desenvolvidas. Deve-se considerar ainda que muitas são as realidades que envolvem aos frades desde o Sul até o Sudeste onde a Província se situa, sendo cada realidade específica e com seu jeito todo próprio. Assim, para se evangelizar é preciso está atento ao contexto que se está inserido. Discute-se também a possibilidade de acompanhar os estudantes de Teologia em seus estágios pastorais e demonstrar e incentivá-lo na evangelização e que a mesma contribui para a própria formação. Assim, ressalta-se que todos somos evangelizadores seja atendendo numa portaria, seja nas artes ou em qualquer outro serviço desempenhado pelo frade, pois nisso está a missão do Ser Frade: Evangelizar!

Frei Geovany: Por fim, qual a mensagem que você gostaria de deixar como incentivo a Evangelização?
Frei André Becker: Que o frade esteja aberto aberto para estar presente nas novas realidades, areópagos e desafios que se apresentam e que os meios de comunicação, que são cada vez mais presentes em nossa sociedade, possam ser também meios de evangelização e que os frades possam se qualificar na utilização destes meios de propagação do Evangelho e do ser Franciscano. E que tenham a sensibilidade de cada vez mais investir na ação evangelizadora que, segundo o Visitador Geral, Frei Flaerdi Silvestre Valvasori, a Ordem já produziu muitos documentos e agora é preciso se voltar aos documentos e se empenhar na ação evangelizadora.
(fonte: http://www.franciscanos.org.br)

CF 2009 – Segurança Pública


A Campanha da Fraternidade de 2009 aborda um dos temas mais preocupantes da atualidade: a segurança pública. Muito se tem falado do contexto social de violência em que vive a sociedade brasileira – e mundial –, no entanto, muito pouco se tem feito de forma a mudar essa realidade.

Temos consciência de que a integridade da pessoa humana é um direito inalienável. Bem sabemos que o Estado deve garantir a segurança pública, mas ao mesmo tempo, cada cidadão deve ter consciência de que segurança se constrói através da mescla de igualdade social e educação.

Somos herdeiros de uma colonização, em sua essência, violenta. As raízes do passado já não são válidas para justificar a falta de segurança. Já se passaram mais de 500 anos desde a colonização.

É, também, importante mudar a idéia de que os interesses pessoais se sobressaiam aos interesses comuns. A indústria do medo deve ser desestruturada e os meios de comunicação, principais agentes de formação social e cultural devem assumir o compromisso de construção de uma paz para todos.

O Antigo Testamento nos mostra que a única fonte de nossa segurança é o próprio Deus. Ele, também, mostra que fomos criados para a comunhão com Deus e com os irmãos, na vivência concreta do amor e somente a partir desse critério poderemos de fato ter segurança. Somente põe a sua confiança no Senhor aquele que faz a Sua vontade.

No Sermão da Montanha, Jesus mostra que devemos quebrar a rede de ódio e vingança que existe na sociedade porque violência gera mais violência.

As primeiras comunidades cristãs testemunhavam a prática da paz fundamentada nos valores evangélicos, principalmente no cuidado com os pequenos e com os necessitados. Mostram que a paz não vem pela força das armas, mas dos relacionamentos, fundamentados no amor, porque Deus é amor e ele é a fonte da verdadeira paz e da concórdia.

Somente a partir dos critérios do Evangelho é que se torna possível pensar verdadeiramente em segurança. Paulo reconhece que o amor é a plenitude da Lei (Rm 13,10), fonte, portanto, de toda segurança a que a humanidade aspira.

Muitas são as dificuldades em relação à segurança, no Brasil. A violência atinge a todos nos lugares mais distantes. As várias formas de violência como: familiar, de rua, escolar, entre outras, aterrorizam famílias inteiras.

A campanha da fraternidade de 2009 propõe como via de mudança a esses hábitos um intensivo em ações educativas, tais como, trabalhar junto com as famílias conscientizando das necessidades de uma boa educação a seus filhos, divulgar e mostrar os objetivos propostos pela campanha nas escolas, campanhas educacionais sobre a violência levando todos a maior responsabilidade com a segurança dos que estão próximos.

Não se deve esperar um resultado milagroso, mas um resultado que aparecerá de acordo com os trabalhos desenvolvidos.

O cartaz da campanha:

O conceito principal da imagem é mostrar que a paz pode ser conseguida em qualquer nível cultural ou econômico e que a cultura é uma forte ferramenta para a conquista da paz e da justiça. A perspectiva da foto tem o objetivo de ilustrar que o acesso à cultura pode trazer mudanças.

Podemos perceber que há lixo jogado, representando uma vida bagunçada e sem sentido. Que é deixada para trás. O jovem da foto é um convite para que se criem condições para a promoção de uma cultura da paz fundamentada na justiça social e iluminada pelo Evangelho e pelos valores cristãos.

Por: Paulinos de BH
http://paulinos.org.br/novo/blog/