"Permanecei em mim"



Homilia do 5º Domingo da Páscoa - Pe. Luiz Carlos de Oliveira

Estar em Cristo é produzir frutos

Pela Ressurreição recebemos a Vida que é nossa união a Ele. Jesus no-lo explica através da comparação da videira.

Essa comparação é comum no Antigo Testamento. O povo é a videira que Deus "tirou do Egito e expulsou nações para plantá-la" (Sl 80,8). O povo era comparado à videira. Jesus aplica a comparação a si: "Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor" (Jo 15,1).

Eu SOU está sempre a indicar a divindade que possui com o Pai e nos dá. Participamos de sua própria vida como o ramo da videira tem a vida da planta. O ramo só produz fruto se estiver unido, e morre se estiver desligado. Aceitar Jesus é princípio de união. Notemos também que a planta produz frutos pelos ramos.

Este é o sentido da comunicação da vida divina que é a finalidade da Vida, Morte e Ressurreição de Jesus. Deus quis se comunicar através do Filho e levar-nos a participar de sua Vida através do Filho. Permanecer em Cristo é amar, como veremos no próximo domingo. A SSma. Trindade é a fonte deste amor.

Nossa vida cristã depende dessa união: "Sem mim nada podeis fazer" (Jo 15,5), isto é, os frutos que produzimos vêm da união a Cristo. Notemos que a vida espiritual é uma vida que nasce de Deus e depois produz frutos.

Temos esta vida porque guardamos o mandamento de Deus que é crer em Jesus e amar os irmãos: "Quem guarda os seus mandamentos permanece com Deus e Deus permanece com Ele.

Que Ele permanece conosco, sabemo-lo pelo Espírito que nos deu" (1Jo 3,24). O Espírito, que é Vida, garante-nos. Se permanecermos unidos a esta Vida, somos atendidos em nossa oração: "Pedi o que quiserdes e vos será dado"(Jo 15,7). Paulo é o exemplo do fruto desta união com Cristo. Nele a fé em Jesus produziu frutos (At 9,26-31)

Não permanecer unido é morrer

"Quem não permanecer em mim, será lançado fora como o ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, laçados no fogo e queimados" (Jo 15,6).

Estar unido a Cristo é questão de vida, pois nele temos a fonte de toda energia. Permanecer é estar na graça de Deus. Estar unido é produzir fruto. Não produzir é sinal de morte. A questão do pecado não está na falta que cometemos, mas no mal que nos faz estarmos separados de Cristo.

A paixão que temos por Ele nos levará a tudo fazer para não perdê-lo. Por isso é preciso ter compromisso e a ousadia de amar para viver unido entre nós e a Ele. Amar, não somente com palavras e de boca, mas com ações e de verdade (1Jo 3,18). Religião não é dizer, mas fazer a obra da fé que é o amor. Jesus pede que estejamos unidos entre nós, o que é fruto do amor (Jo 17,21).

Quem produz é podado

Quem ama sofre, pois o amor exige renúncia. É perder para ganhar. Por isso Jesus já mostra que, estar unido a Ele é ter que suportar as podas para produzir mais frutos. Poda é graça. Existe a poda seca que retira o que não serve mais e a poda verde que é a limpeza dos brotos novos.

Não nos preocupemos de perder até coisas boas, pois o Espírito conduz a mão do podador. Deus ama e se alegra com os filhos, pois isso os educa. Podemos ficar tranqüilos, pois "se nosso coração nos acusa, Deus é maior que nosso coração e conhece todas as coisas" (1Jo 3,20). Se quisermos crescer necessitamos desta conversão.

(fonte: www.tvaparecida.com)

O Bom Pastor dá sua vida


O tema central da liturgia de hoje (evangelho) é a alegoria do Bom Pastor (como sempre no 4° domingo pascal).


Na primeira parte da alegoria, lida no ano A, Jo comparou Jesus com a porta do redil, porta pela qual entra o pastor e pela qual sai o rebanho conduzido pelo pastor. Quem não entra pela porta que é Jesus não é pastor, mas assal­tante.


Na segunda parte, lida hoje, Cristo é o próprio pastor, em oposição aos mercenários: imagens tomadas de Ez 34. Os mercenários não dão sua vida pelo rebanho.
Jesus, sim. Todo mundo entende esta comparação. O sentido é obvio: Jesus deu, na cruz, sua vida por nós.


Para Jo, porém, ela esconde um sentido mais profundo: a vida que Jesus dá não é apenas a vida física que ele perde em nosso favor, mas a vida de Deus que ele nos comunica (exatamente ao perder sua vida física por nós).


Esta idéia constitui a ligação com a imagem precedente (a porta): em Jo 10,10b, Jesus diz que ele veio para "dar a vida", e dá-la em abundância; e continua, em 10,11, apontando sua própria vida como sendo esta vida em abundância que ele dá.


Nos v. 17-18 aparece, então, que ele dá essa vida com soberania divina (ele tem o poder de retomá-la; ninguém lha rouba): doando-se por nós, nos faz participar da vida divina, porque entramos na comunhão do amor de Jesus e daquele que o enviou (estas idéias são elaboradas em Jo 14-17, esp. 15,10.13; 17, 2.3.26 etc.).


A vida que Jesus nos dá é o amor do Pai, que nos faz viver verdadeiramente e nos torna seus filhos.


Já agora temos certa experiência disso, a saber, na prática deste amor que nos foi dado. Mas essa experiência é ainda inicial; manifestar-se-á plenamente quando o Cristo for completamente manifestado na sua glória: então, seremos seme­lhantes a ele. Desde já, nossa participação desta vida divina nos coloca numa situação à parte: na comunidade do amor fraterno, que o mundo não quer conhecer e, por isso, re­jeita (1Jo 3,lc). É a "diferença cristã" (2ª leitura).



Porém, a diferença cristã não é fechada, mas aberta. É uma identidade não au­to-suficiente, mas comunicativa. Jo insiste várias vezes neste ponto: Jesus é a vítima de expiação dos pecados não só de nós, mas do mundo inteiro (1Jo 2,2); Jesus tem ainda outras ovelhas, que não são "deste redil" (10 10,16). O amor, que é a vida divina comunicada pelo Pai na doação do Filho, verifica-se na comunidade dos fiéis batizados, confessantes e unidos.


Mas não se restringe a essa comunidade. Não só porque existem ou­tras comunidades, mas porque a salvação é para todos. A atuação dos primeiros cristãos em Jerusalém (1ª leitura) deve ser entendida neste mesmo sentido. Formam uma comunidade que, sociologicamente falando, pode ser caracterizada como seita. Porém, não é uma seita auto-suficiente, mas transbordan­te de seu próprio princípio vital, o "nome" de Jesus Cristo (= toda a realidade que ele representa).


Quando um aleijado, na porta do templo, dirige a Pedro seu pedido de aju­da, este comunica-lhe o "nome" de Jesus (At 3,6). Daí se desenvolve todo um testemu­nho (narrado na liturgia de domingo passado). Este testemunho leva à intervenção das autoridades, sempre desconfiadas dos pequenos grupos testemunhantes.


Pedro e João são presos e levados diante do Sinédrio, que pergunta em que nome eles agem assim. "No nome de Jesus Cristo Nazareno, crucificado por vós, mas ressuscitado por Deus ... Em nenhum outro nome há salvação, pois nenhum outro nome foi dado sob o céu por quem possamos ser salvos" (At 4,10-12; cf. Jo 17,3: "A vida eterna é esta: que te conheçam ... e àquele que tu enviaste").


É essa a conclusão do sinal do aleijado da Porta Formosa: a cura que lhe ocorreu significava a "vida" em Jesus Cristo. Esta deve tam­bém ser a conclusão de todo agir cristão no mundo: dar a vida de Cristo ao mundo, pelo testemunho do amor. Tal testemunho convida a participar do amor do qual Jesus nos fez participar, dando sua vida "por seus amigos". Isto é pastoral.


Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: http://www.franciscanos.org.br/)

"Cristo vive!" Cremos na Ressurreição?



As comunidades do mundo grego, para a quais S. Lucas escrevia, tinham dificuldade em crer na Ressurreição de Jesus, sobretudo porque havia filosofias que desprezavam o corpo humano. Queriam um Jesus só espiritual.

Por isso vemos a insistência sobre o corpo do Ressuscitado. Jesus tinha carne e ossos e podia ser tocado. A Palavra de Deus insiste: "Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne nem ossos, como estais vendo que eu tenho" (Lc 24,39).

Como não podiam acreditar, Ele pergunta: "Tendes alguma coisa para comer? Deram-lhe um pedaço de peixe assado. Ele o tomou e comeu diante deles" (v. 41-43). A alegria e a surpresa era tão grandes que não conseguiam acreditar (v.41).

Então Jesus abriu-lhes a inteligência para entenderem as Escrituras (v.45). O evangelista mostra-nos que a Ressurreição é um fato e não uma idéia. Por isso diz tocar, ter carne e osso, comer peixe assado, mostrar o lugar dos cravos. Ele é aquele que foi crucificado.
Agora é ressuscitado. Em nossa condição humana quem domina é a matéria. Usamos os sentidos e o corpo. Na condição de ressuscitado Jesus tem corpo, mas é o corpo espiritualizado. Quem domina é o Espírito de Deus com os sentidos espirituais.

A matéria foi transformada. É o mesmo corpo que não tem a condição material. Para o corpo espiritual não existe espaço, lugar e tempo que são coisas da matéria. Por que não aparece hoje do mesmo modo?

Não é necessário, pois a fé o torna real na comunidade. Pela ação do Espírito Santo abre nossos olhos. Estamos apoiados nestas testemunhas. Sem a presença do Ressuscitado na comunidade, ela perde o sentido.

Conversão para o perdão

Jesus abre a inteligência dos apóstolos para compreenderem o que nas Escrituras estava dito sobre Ele: "O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações" (v.46-47).

A manifestação do Ressuscitado tem também a finalidade de levar a todos a finalidade de sua Vida, Morte e Ressurreição: "A conversão e o perdão dos pecados". Por isso João na sua carta escreve: "Escrevo para que não pequeis. Mas, se alguém pecar, temos, junto do Pai um defensor, Jesus Cristo, o Justo" (1Jo 2,1).

Jesus continua a expiar nossos pecados. Já o fez uma vez por todas e agora aplica a remissão a cada um. Rezamos no prefácio: "Ele continua a oferecer-se pela humanidade e junto de vós é nosso eterno intercessor. Converter é conhecer a Deus e observar os mandamentos.

Pe. Luiz Carlos de Oliveira
(fonte: www.santuarionacional.com)

A comunidade que nasceu da Páscoa




Este domingo pascal acentua o dom do Espírito pelo Cristo Ressuscitado. O evangelho narra com Jesus, na própria tarde da Páscoa, apareceu aos discípulos no cenáculo, dando-lhes o Espírito Santo; e como, no domingo seguinte, Jesus mostrou seu lado aberto a Tomé, testemunha da primeira hora, mas proclamando felizes, doravante, os que acreditarem sem ter visto (v. 29)

Queremos deter-nos no tema do dom do Espírito e a vida da comunidade. O dom do Espírito serve em primeiro lugar para perdoar o pecado (v. 22-23). Pois os discípulos continuam a obra que Jesus iniciou: na primeira apresentação por João Batista, Jesus fora chamado “o cordeiro que tira o pecado do mundo” (Jô 1,29).

A reconciliação com Deus e entre os irmãos é condição necessária para que seja possível a comunidade que Jesus deseja.

Na 1ª leitura vemos como essa comunidade funciona. Continuando a reunir-se, depois da morte e ressurreição de Jesus, e animada por seu Espírito, procurava viver em unidade perfeita: um só coração e uma só alma. Colocavam seus bens em comum, ninguém considerava seu o que possuía, e assim não havia carência no meio deles. Comunhão dos bens materiais mas também dos bens intelectuais, afetivos, espirituais.

O que chamamos de “fraternidade”era realidade entre eles. Não era uma mera agremiação piedosa. Era uma união de vida.

Comunidade cristã é união de vida dos que seguem aquele que deu a vida por nós, Jesus Cristo. Ele nada guardou para si. Nós também, não devemos guardar para nós nada dos bens que nos foram dados – tanto materiais como intelectuais, morais etc.

Somos administradores, não proprietários, e isso é uma razão a mais para sermos muito responsáveis naquilo que fazemos: não nos pertence. Pertence a Deus e é destinado aos nossos irmãos e irmãs. Assim como Cristo deu sua própria vida em sinal do amor de Deus, assim também nós devemos dar a vida pelos irmãos (1Jo 3,16). Dar a vida, vivendo ou morrendo...morrendo de uma morte que em Cristo se transforma em vida.

Essa vida de comunhão, é obra do Espírito de Cristo, que é o sopro de Deus que ressuscitou Jesus dentre os mortos. Podemos também dizer que o Espírito de Deus faz ressuscitar em nós a vida que Jesus viveu. Foi isso que experimentaram os primeiros cristãos, e é isso que a Igreja sempre terá de vivenciar. Não o egoísmo de uma instituiçã fechada sobre si mesma e de cristãos só de nome, mas uma comunhão de irmãos e irmãs, que contagia o mundo.

Essa é a nossa fé, que vence o mundo (2ª leitura). A vida de Jesus ressuscita em nós. Paulo diz: “Não sou eu quem vivo, mas Cristo que vive em mim”(Gl 2,20). João escreve seu evangelho para que estejamos firmes na fé em Jesus e nessa fé tenhamos a vida. Mas não se trata de uma vida qualquer. Trata-se da vida que Jesus nos mostrou.

Por isso João descreveu os gestos de Jesus, seus sinais que falavam de Deus (Jo 20, 30-31). Seja nossa vida, nossa comunidade, tal sinal: Nisto todos conhecerão que sois discípulos meus: que vos ameis uns aos outros”(Jo 13,35).

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: www.franciscanos.org.br)

O tríduo pascal



A palavra tríduo na prática devocional católica sugere a idéia de preparação. Às vezes nos preparamos para a festa de um santo com três dias de oração em sua honra, ou pedimos uma graça especial mediante um tríduo de preces de intercessão.

O tríduo pascal se considerava como três dias de preparação para a festa de Páscoa; compreendia a quinta-feira, a sexta-feira e o sábado da Semana Santa. Era um tríduo da paixão.
No novo calendário e nas normas litúrgicas para a Semana Santa, o enfoque é diferente. O tríduo se apresenta não como um tempo de preparação, mas sim como uma só coisa com a Páscoa. É um tríduo da paixão e ressurreição, que abrange a totalidade do mistério pascal.

Assim se expressa no calendário:
Cristo redimiu ao gênero humano e deu perfeita glória a Deus principalmente através de seu mistério pascal: morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida. O tríduo pascal da paixão e ressurreição de Cristo é, portanto, a culminação de todo o ano litúrgico.

Logo estabelece a duração exata do tríduo:
O tríduo começa com a missa vespertina da Ceia do Senhor, alcança seu cume na Vigília Pascal e se fecha com as vésperas do Domingo de Páscoa.

Esta unificação da celebração pascal é mais acorde com o espírito do Novo Testamento e com a tradição cristã primitiva. O mesmo Cristo, quando aludia a sua paixão e morte, nunca as dissociava de sua ressurreição. No evangelho da quarta-feira da segunda semana de quaresma (Mt 20,17-28) fala delas em conjunto: "O condenarão à morte e o entregarão aos gentis para que d'Ele façam escarnio, o açoitem e o crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará".

É significativo que os pais da Igreja, tanto Santo Ambrosio como Santo Agostinho, concebam o tríduo pascal como um todo que inclui o sofrimento do Jesus e também sua glorificação.

O bispo de Milão, em um dos seus escritos, refere-se aos três Santos dias (triduum illud sacrum) como aos três dias nos quais sofreu, esteve no túmulo e ressuscitou, os três dias aos que se referiu quando disse: "Destruam este templo e em três dias o reedificaré". Santo Agostinho, em uma de suas cartas, refere-se a eles como "os três sacratíssimos dias da crucificação, sepultura e ressurreição de Cristo".

Esses três dias, que começam com a missa vespertina da quinta-feira santa e concluem com a oração de vésperas do domingo de páscoa, formam uma unidade, e como tal devem ser considerados.


Por conseguinte, a páscoa cristã consiste essencialmente em uma celebração de três dias, que compreende as partes sombrias e as facetas brilhantes do mistério salvífico de Cristo.

As diferentes fases do mistério pascal se estendem ao longo dos três dias como em um tríptico: cada um dos três quadros ilustra uma parte da cena; juntos formam um tudo. Cada quadro é em si completo, mas deve ser visto em relação com os outros dois.

Interessa saber que tanto na sexta-feira como na sábado santo, oficialmente, não formam parte da quaresma.

Segundo o novo calendário, a quaresma começa na quarta-feira de cinza e conclui na quinta-feira santa, excluindo a missa do jantar do Senhor 1. na sexta-feira e na sábado da semana Santa não são os últimos dois dias de quaresma, mas sim os primeiros dois dias do "sagrado tríduo".

Pensamentos para o tríduo.

A unidade do mistério pascal tem algo importante que nos ensinar. Diz-nos que a dor não somente é seguida pelo gozo, senão que já o contém em si. Jesus expressou isto de diferentes maneiras. Por exemplo, no último jantar disse a seus apóstolos: "Se entristecerão, mas sua tristeza se trocará em alegria" (Jn 16,20). Parece como se a dor fosse um dos ingredientes imprescindíveis para forjar a alegria. A metáfora da mulher com dores de parto o expressa maravilhosamente. Sua dor, efetivamente, engendra alegria, a alegria "de que ao mundo lhe nasceu um homem".

Outras imagens vão à memória. Todo o ciclo da natureza fala de vida que sai da morte: "Se o grão de trigo, que cai na terra, não morre, fica sozinho; mas se morrer, produz muito fruto" (Jn 12,24).


A ressurreição é nossa páscoa; é um passo da morte à vida, da escuridão à luz, do jejum à festa. O Senhor disse: "Você, pelo contrário, quando jejuar, unja-se a cabeça e se lave a cara" (MT 6,17).


O jejum é o começo da festa.

O sofrimento não é bom em si mesmo; portanto, não devemos buscá-lo como tal. A postura cristã referente a ele é positiva e realista. Na vida de Cristo, e sobre tudo na sua cruz, vemos seu valor redentor. O crucifixo não deve reduzir-se a uma dolorosa lembrança do muito que Jesus sofreu por nós. É um objeto no que podemos nos glorificar porque está transfigurado pela glória da ressurreição.

Nossas vidas estão entretecidas de gozo e de dor. Fugir da dor e as penas a toda costa e procurar gozo e prazer por si mesmos são atitudes erradas. O caminho cristão é o caminho iluminado pelos ensinos e exemplos do Jesus. É o caminho da cruz, que é também o da ressurreição; é esquecimento de si, é perder-se por Cristo, é vida que brota da morte. O mistério pascal que celebramos nos dias do sagrado tríduo é a pauta e o programa que devemos seguir em nossas vidas.

DOMINGO DE RAMOS NO VALONGO


Foi uma festa só!!

A concentração foi formada no Centro de Santos, como sempre.

Depois a procissão em direção ao Valongo, cantando e rezando, animada por Frei André e pela equipe de Liturgia.

A chegada no Valongo foi emocionante e a Santa Missa muito bem participada com a igreja lotada.

A noite, Frei Félix presidiu a celebração e a concentração foi em frente a Estação Ferroviária (ao lado do Santuário). O mesmo sentimento e a mesma emoção da manhã estiveram presentes.

Parabéns aos organizadores, equipe de celebração, frades e aos fiéis.

Veja as fotos abaixo (obrigado à Adriana pelo envio):




Domingo de Ramos/2009

O Messias, Filho do Homem, Filho de Deus

A primeira parte do evangelho de Marcos apresenta de maneira velada a obra messiânica de Jesus. Falou-se até de um “segredo messiânico”.

Jesus traz o Reino de Deus presente, mas não de modo manifesto; apenas o deixa entrever em sinais de sua autoridade (1, 21; 2,10 etc).

Inclusive, os demônios que ele expulsa o reconhecem antes dos próprios discípulos! As parábolas (Mc 4) falam da presença escondida do Reino.

Os gestos de Jesus apontam para o Reino (a partilha do pão), mas os discípulos não o entendem (8, 14-21). A abertura dos olhos do cego de Betsaida anuncia uma mudança (8, 22-26).

Os discípulos reconhecem Jesus como Messias, mas em categorias humanas, sem entender seu caminho de Servo Sofredor (8, 27-30.31-33). Nos caps. 8 a 10, mediante os anúncios da Paixão e os ensinamentos sobre o seguimento e o serviço, surge uma espécie de compreensão, simbolizada pela abertura dos olhos do cego de Jericó (10, 46-52).

Mas Jerusalém continua na ambigüidade.
Jesus entra na cidade sentado num burrinho, como o Messias humilde descrito no profeta Zacarias, mas o povo o aclama; como Filho de Davi.

Ora, Davi era guerreiro. Será que o povo entendeu que tipo de Messias Jesus realiza? Jesus é mais que um filho de Davi.

É o filho querido de Deus (1, 11; 9,7; 15,39) que, em obediência ao incansável amor do Pai, dá sua vida e realiza plenamente a figura do “Servo” descrita em Isaías 53.

A narração da Paixão fornece uma chave para abrir esse segredo. O sumo sacerdote pergunta a Jesus se ele é o Messias, o Filho de Deus. Jesus responde “Sou, sim, e vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu” (Mc 14, 61).

O mundo pergunta se ele é o Filho de Deus e ele responde que é o Filho do Homem... Este Filho do Homem é uma figura que vem da profecia de Daniel (7, 13-14).

É o enviado celestial que esmaga as quatro feras que disputam o domínio sobre o mundo. Simboliza o Reino de Deus. O Reino de Deus, que vence os reinos “ferozes” deste mundo, tem rosto humano. Para nós, tem o rosto de Jesus.

Assim, na Paixão de Jesus, Filho do Homem e Filho de Deus significam a mesma coisa. Jesus é o Filho querido de Deus, que une sua vontade à do Pai, para, pelo dom da própria vida, vencer as feras que dominam este mundo e quebrar sua força definitivamente.

Ao ser condenado pelo sumo sacerdote de seu povo, ele se proclama portador de uma autoridade: a do Filho do Homem. Quando ele morre na cruz, por causa da justiça e do amor, o representante do mundo universal, o militar romano, exclama: “Este era de fato Filho de Deus”.

Ambos os títulos significam o respaldo que Deus dá a Jesus, e que se verificará na gloriosa ressurreição dentre os mortos. Jesus é vencedor pela morte por amor em obediência filial (Filho de Deus), mas também pelo julgamento que derrota o poder deste mundo (Filho do Homem).

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: www.franciscanos.org.br)